A última Revista Domingo do Jornal do Brasil, do dia 6 de maio, traz uma reportagem* com David Crow, herbologista, intitulado pela revista pastor pós-moderno, e que prega a ecoespiritualidade. Embora seu discurso e sua imagem ainda me sejam um pouco suspeitos - coloquei-o na categoria “sob observação” - algumas partes de sua entrevista são interessantes. Se ele aplica na prática tudo o que propõe na teoria não faço idéia, mas selecionei algumas partes que me agradaram.
Quando indagado sobre o fato de usar carro a gasolina, computador e fazer viagens de avião, respondeu:
“Estamos encurralados, se não usarmos essas coisas, não participamos da sociedade. Temos que mudar tudo, e já.”
Lembro-me de ter falado semana passada exatamente essa frase em uma das monitorias do curso de geobiologia, além de ser uma idéia que tenho há tempos. A única maneira de sermos totalmente ecológicos e nos preservarmos de todas as influências nocivas do mundo moderno (ou quase, já que ondas chegam a qualquer lugar) seria nos isolarmos em uma montanha distante, num casebre sem energia elétrica. Mas se fizermos isso, não estaremos interagindo com a sociedade, não poderemos contribuir em nada para melhorar este mundo, ensinar o que sabemos ou divulgar conhecimentos importantes sobre a mesma ecologia que nos importa.
Em poucas palavras, como definiria ecoespiritualidade?
“Ecoespiritualidade é reconhecer que a natureza é sagrada. As plantas tem importância vital tanto para o mundo que nos rodeia quanto para o interior de nossos corpos. Preservando a natureza, por meio da intimidade com o poder da flora, garantimos um elevado e duradouro bem-estar físico, indispensáveis à paz que buscamos.”
Perceber que somos parte da natureza, que somos influenciados por ela e a influenciamos, é essencial para obtermos harmonia em qualquer nível de nossas vidas, seja na saúde, no trabalho, nos relacionamentos.
“Nas culturas tibetana, chinesa e aiurvédica, medicina e espiritualidade estão interligadas. Na cultura ocidental, não. Não somos máquinas, temos que cuidar da alma.”
Pois se até as máquinas precisam de manutenção e suprimento de energia adequados… O que nos falta é reconhecer quais são de fato os suprimentos necessários à nossa manutenção, incluindo não só os alimentos físicos, mas também os alimentos da alma.
Como a poluição afeta os cariocas?
“Os cariocas estão doentes por causa da poluição do ar. Todos estão desenvolvendo asma e câncer. Estamos conectados à natureza pelo ar. Tudo o que comemos e bebemos está contaminado. Desenvolvemos uma medicina super apurada e, ainda assim, adoecemos por causa das doenças ambientais.”
Desnecessário fazer comentários. Desejo que cada vez mais nossa sociedade e nossos governantes aumentem sua consciência acerca da influência que o ambiente exerce sobre nosso bem-estar.
* A reportagem foi feita por Anna Carolina Braile
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